Harry Potter and the Half-Blood Prince

Por um Portugal inclusivo

Artigo 13.º
Princípio da igualdade

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Retirado de Parlamento.pt
Porto, Sexta-Feira, 17 de Julho de 2009

Exmos:

Numa altura em que a nível mundial se reconhece que não existem grupos de risco, mas sim comportamentos que acarretam por si só risco de infecção, é com indignação e tristeza que observamos esta tomada de posição do governo português, na figura do Ministério da Saúde.

Na directiva comunitária 2004/33/CE de 22 de Março de 2004 onde se enumeram os critérios de aceitação para dadores de sangue total e de componentes sanguíneos referem-se “indivíduos cujo comportamento sexual os coloque em grande risco de contrair doenças infecciosas graves susceptíveis de serem transmitidas pelo sangue.”

Um homem ter relações sexuais com outro homem, não é por si só um comportamento de risco. Um homem ter relações sexuais com um homem ou com uma mulher comporta grau semelhante de risco se falarmos em relações protegidas ou relações não-protegidas, se falarmos em parceiros conhecidos ou parceiros desconhecidos. A variável que transforma o grau de risco de comportamento de menor a maior não é o género do parceiro.

Esta tomada de posição não é apenas um recuo, mas a validação por parte do governo português de práticas discriminatórias que eram tidas por parte de vários hospitais, indo directamente contra a constituição portuguesa, mais especificamente o artigo 13º.

Desta forma, lamentamos profundamente que o governo português decida ignorar todos os outros dados e agarrar-se a preconceitos e estereótipos que indicam os homossexuais como focos de infecção.

A titulo de exemplo o Ministério da Saúde Português cita uma publicação de 23 de Novembro de 2007, da Health Protection Agency do Reino Unido.

A título de exemplo citamos também o relatório VIH/ Sida – A situação em Portugal a 31 de Dezembro de 2008 do próprio Ministério da Saúde Português em colaboração com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge onde se pode ler o seguinte:

“Para os 1201 casos com data de diagnóstico no ano de 2008, a distribuição de acordo com as principais categorias de transmissão e o estadio é a seguinte:

(…) durante o ano de 2008, a categoria de transmissão “heterossexual”, para o total de casos nesta categoria, regista 57,6% dos casos notificados (PA, Sintomáticos não-SIDA e SIDA), a transmissão associadas à toxicodependência apresenta o valor de 21,9% e os casos homo/bissexuais são 16,8 % do total.”

Relativamente à situação global em Portugal a 31 de Dezembro de 2008 pode ainda ler-se nesse documento:

“A 31 de Dezembro de 2008, encontravam-se notificados 34 888 casos de infecção VIH / SIDA nos diferentes estadios de infecção.
(…) Como elemento comum a todos os estadios, verifica-se que o maior número de casos notificados (“casos acumulados”) corresponde a infecção em indivíduos referindo consumo de drogas por via endovenosa ou “toxicodependentes”, constituindo 42,5% (14 835 / 34 888) de todas as notificações, reflectindo a tendência inicial da epidemia no País.
O número de casos associados à infecção por transmissão sexual (heterossexual) representa o segundo grupo com 40,0% dos registos e a transmissão sexual (homossexual masculina) apresenta 12,3% dos casos; as restantes formas de transmissão correspondem a 5,2% do total.
Os casos notificados de infecção VIH/SIDA, que referem como forma provável de infecção a transmissão sexual (heterossexual), apresentam uma tendência evolutiva crescente.”

Quanto a portadores assintomáticos este relatório do Ministério da Saúde refere:

“Constatamos o elevado número de casos de infecção VIH assintomáticos, associados principalmente a duas categorias de transmissão: “heterossexuais” representando 43,4% do total de PA notificados, bem como “toxicodependentes” (40,0%).”

Conviria relembrar que posições como esta, contribuem largamente para a perpetuação de preconceitos associados à homossexualidade, que caberia também ao governo português tentar combater pois tem consequências directas na percepção dos portugueses acerca dos riscos dos seus comportamentos sexuais (influenciando directamente as taxas de infecção nos outros grupos). Ademais sendo a comunidade homossexual uma minoria que já por si sofre pressões sociais inegáveis, este tipo de postura terá com certeza repercussões a nível da saúde emocional dos jovens homossexuais que ainda estão a chegar a termos com a sua individualidade sexual. Importa-nos referir o notável absentismo em termos de intervenção em saúde primária no que diz respeito à saúde familiar, sexual e emocional de todos as lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros.

Numa altura em que nos Estados Unidos, o Presidente Barack Obama pondera a remoção de directiva Don’t Ask, Don’t Tell, Portugal retrocede dois passos e pede a quem apenas quer ajudar o próximo, doando o seu sangue, que oculte a sua orientação sexual e minta. É lamentável que, novamente, em Portugal se retroceda numa questão básica de saúde pública e se perpetuem mitos e preconceitos infundados, e já desmentidos por variadas vezes.

Pedimos apenas, em nome de todos os que querem ser dadores em Portugal e de todos aqueles que possam vir a necessitar de uma transfusão de sangue, que o governo reconsidere esta medida, e opte por questionar quanto a comportamentos de risco, e não quanto à sua orientação sexual.

Por tudo o que acima mencionamos, não podemos deixar passar em branco situações gritantes de homofobia, em particular quando partem de orgão governativos.

Por um Portugal inclusivo,
André Correia, Joana Maltez, João Ribeiro, Mafalda Gomes e Sara Oliveira
P’lo mica-ME (movimento de intervenção cultural e artística)

Have A Little Faith In Me

When the road gets dark
And you can no longer see
Just let my love throw a spark
And have a little faith in me

And when the tears you cry
Are all you can believe
Just give these loving arms a try
And have a little faith in me
And

Chorus:
Have a little faith in me
Have a little faith in me
Have a little faith in me
Have a little faith in me

When your secret heart
Cannot speak so easily
Come here darlin
From a whisper start
To have a little faith in me

And when your backs against the wall
Just turn around and you will see
I will catch, I will catch your fall baby
Just have a little faith in me

Chorus

Sung over fade:
Well, Ive been loving you for such a long time girl
Expecting nothing in return
Just for you to have a little faith in me
You see time, time is our friend
cause for us there is no end
And all you gotta do is have a little faith in me
I said I will hold you up, I will hold you up
Your love gives me strength enough
So have a little faith in me

4ª Marcha Orgulho LGBT Porto

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Fotos por: Vítor Fernandes

Supervision

“The Bible contains six admonishments to homosexuals and 362 admonishments to heterosexuals. That doesn’t mean that God doesn’t love heterosexuals. It’s just that they need more supervision.”

Ela precisa de ser ganha.

A comunidade activista LGBT deveria, por mais vezes, manter em mente que não temos assim tanta força nem nos podemos dar ao luxo de evidenciar as nossas diferenças uns perante os outros no que toca a forma de reivindicação dos nossos direitos.
Temos ainda uma enorme batalha pela frente que está longe de conseguir ser ganha e deveríamos todos pensar exactamente nisso:

Ela precisa de ser ganha.

No entanto entristece-me que por vezes se denote um certo atrito de umas associações para as outras, de umas organizações para as outras. Atritos no movimento em geral. Suponho que haja disso em todo o lado e nós não somos excepção a essa regra. Acho sinceramente que com isto apenas se perde tempo, se desperdiçam pessoas e se gastam mentes com ideias brilhantes para que essa batalha acabe rapidamente.

Infelizmente ainda estamos numa fase bastante complicada. Infelizmente e por mais que se tente negar ainda muito falta para conseguirmos atingir uma igualdade de direitos. E sejamos francos.. nem toda a gente tem coragem ou à vontade para fazer activismo e sair do armário com medo de represálias aos mais variadíssimos níveis. Medo que a família descubra a sua orientação sexual, medo que no seu local de trabalho possa sofrer repreensões igualmente devido à sua orientação sexual, etc etc etc. Penso que mais exemplos não preciso de dar.

Onde eu quero chegar a com todo este divagar de ideias e pseudo desabafos que me correm na mente é simplesmente a um sentimento de união.

Se calhar pensar no que ainda precisamos de ter, seria bastante mais vantajoso.

Would you be wise enough to let me go ?

É tarde e daqui a nada vou para a cama. Só para escrever qualquer coisa aparentemente sem significado algum. Trabalhar tanto pode ser gratificante mas é igualmente bastante cansativo. Mas é bom saber que apesar das dificuldades é bom encontrar uma segunda coisa na minha vida à qual gosto de me dedicar. Não recebo nada em troca a não ser a satisfação de contribuir. A mim parece-me o suficiente. Mais que suficiente. Tento ser digna disso o máximo que posso e consigo.

Desabafo nocturno ou não , não sei. Mas gostava de chegar a casa e ter alguém a fazer pulseiras para mim.

Frase idiota. Mas até a acho bonita.

With one light on
In one room
I know you’re up
When I get home
With one small step
Upon the stair
I know your look
When I get there

If you were a king
Up there on your throne
Would you be wise enough to let me go
For this queen you think you own

Wants to be a hunter again
I want to see the world alone again
To take a chance on life again
So let me go…

The unread book
And painful look
The TV’s on
The sound is down
With one long pause
Then you begin
Oh look what
The cat’s brought in

If you were a king
Up there on your throne
Would you be wise enough to let me go
For this queen you think you own

Wants to be a hunter again
I want to see the world alone again
To take a chance on life again
So let me go
Let me leave

For the crown you’ve placed upon my head
Feels too heavy now
And I don’t know what to say to you
But I’ll smile anyhow
And all the time I’m thinking
Thinking…

I want to be a hunter again
I want to see the world alone again
To take a chance on life again
So let me go

Dido – Hunter